Divã com Maria Eduarda estilista da Ovelha Negra underwear

Maria Eduarda Malucelli é a mais nova estilista e empreendedora de lingerie do pedaço. Esta guria talentosa é de Curitiba, que descobriu a paixão sozinha por lingeries, já que as irmãs, suas maiores inspiradoras, usavam peças básicas e com características teen. Fez dois anos de arquitetura, mas acabou se rendendo para o curso de Moda.

Foi lá na Moda, que ela criou a Ovelha Negra Underwear uma marca de roupas de baixo que produz peças com design, recortes estratégicos, funcionalidade e detalhes atrativos que asseguram a confiança da mulher. Criada em 2013, ganhou como startup no Desafio Senai de Inovação com a coleção Porcelana. Os produtos comercializados atualmente são modeladores funcionais com design inspirado na Holaria Design, cuja essência é investigar os limites de expressão plástica da porcelana.

Consigo olhar um shape para mulheres voluptuosas. Aleluia, meu pandeiro agradece! Body, Soutien, Calcinhas tipo hot pants e caleçon faz o quarteto fantástico com texturas de cheios e vazios, transparência e recortes no qual sou apaixonada. Enquanto Oscar projetava para curvas arquitetônicas, Maria Eduarda projeta para as curvas da mulher brasileira com requinte e elegância de uma modelagem internacional.

Admiradora de marcas como luxe Za.Za,  Janiero, Hopeless, NYC SexTrash, Scandale, What Katie Did, Kiss me Deadlyn e apaixonada por blogs como The Lingerie Addict,  Arquiteta do amor (Eu), Adoro Lingerie e Tudo de Lingerie, Coisas de Diva e o portal de estilo Even More. Maria Eduarda aposta em pecinhas leves e confortáveis para o dia, soutiens sem bojo ou aro, que dão a sensação de não estar usando nada. Para a noite prefiro as peças maiores e mais estruturadas, como bralets e hot pants.

Sobre a lingerie brasileira, acredito que é pouco explorado em termos de estética e tecnologia. Há muito foco nas peças bonitas sem funcionalidade, ou com funcionalidade sem beleza. Inclusive nas marcas de fora que estão disponíveis no mercado brasileiro. Além disso, muitas marcas daqui têm produtos muito semelhantes entre si e seguem as mesmas linhas de design, assim como têm pouca inovação nos seus produtos. Conta-se nos dedos as marcas nacionais que podemos citar como inovadoras ou de vanguarda.

Confira a entrevista que fiz com a estilista da Ovelha Negra underwear, suas dificuldades, superações, e suas dicas para empreender no mercado da lingerie.

Quais são suas inspirações?

Gosto de me inspirar em outras peças de design brasileiro. A primeira coleção, por exemplo, foi inspirada na Holaria Design, que produz vasos e objetos de cerâmica, que é um material conhecido e já utilizada. A marca, porém, faz uso do material de maneira inusitada, explorando os limites da forma e função. É esse conceito que buscamos aplicar na Ovelha Negra Underwear. No Brasil temos bons fabricantes de tecidos e que já disponibilizam tecnologia para investir na roupa de baixo, mas são poucas as marcas que o fazem, ou se fazem, é de maneira já vista antes no mercado.

Quais as dificuldades para construir o próprio negócio? Se tivesse que dar um conselho para quem está começando qual seria?
Minha maior dificuldade tem sido encontrar mão de obra capacitada que produza com o padrão de qualidade que buscamos para a marca. Por tem uma modelagem diferenciada, não são todos os profissionais que aceitam o “desafio” de produzir nossas peças. Se pudesse dar um conselho a quem está começando, seria o seguinte: antes de fundamentar outras áreas de sua empresa, busque sempre um profissional confiável e sugira uma parceria com ele. É importante também fazer testes de mercado e aceitação do público com os produtos, antes de pensar na parte comercial.

Você se lembra de sua primeira experiência criativa? Como ela começou?
Sempre gostei de desenhar as peças e criar minhas roupas, e muitas vezes eu mesma costurei. Atualmente não tenho a mesma disponibilidade de tempo, mas me lembro de ter muito incentivo para a criação ao entrar na faculdade de arquitetura e urbanismo, na Universidade Federal do Paraná. Nosso primeiro ano todo foi de imersão nesse mundo e exercícios de criatividade. Foi lá que conheci a gestalt, e passei a aperfeiçoar meu processo criativo. Dois anos depois, entrei em um curso técnico de estilismo e confecção industrial, do Senai. Lá dentro, foi possível não só afinar esse processo como a organizá-lo de maneira lógica.

Como é o seu processo de criação de lingerie?
Meu processo de criação é todo baseado em pesquisa. Prefiro sempre começar estudando o mercado, e ver o que está sendo produzido. Depois procuro estudar as tendências, não só da parte de moda e lingerie, mas num panorama mundial. Depois disso, procuro ver o que tem disponível no mercado brasileiro em termos de tecido e as minhas possibilidades. Após o contato com fornecedores, onde norteio as cores e quantidades de modelos da coleção, é que vou para o processo criativo em si. Coloco uma música inspiradora e começo a desenhar. Só paro quando estiver satisfeita e sentir que esgotei as possibilidades. Faço um filtro nas opções e me reúno com a costureira para conversar sobre as modelagens. É só depois disso tudo que produzimos as peças piloto.

Que caminho percorreu até criar a sua marca?
A Ovelha Negra Underwear nasceu em um curso de moda. Orientada a fazer underwear, acabei me apaixonando por esse mundo. Comecei a criar peças masculinas do segmento, e descobri que havia muito espaço no mercado para produtos com algum tipo de inovação. Eram vários nichos não atendidos. Logo em seguida, dei início a um trabalho de conclusão de curso, e por gostar tanto da área, foquei dessa vez na parte feminina do segmento, a lingerie. Descobri nesse universo uma oportunidade de entender o comportamento das mulheres, que é distinto conforme a sociedade em que estão inseridas. Descobri que isso reflete diretamente no tipo de lingerie que consomem, e que revela anseios profundos e reflexos históricos de uma sociedade. Passei a me especializar em lingerie, e criei, como trabalho de conclusão de curso, a Ovelha Negra Underwear.

O que sua marca quer passar para a consumidora?
Nosso objetivo com a marca é empoderar as mulheres, fazer com que elas se sintam mais seguras em seus corpos. Para isso buscamos desconstruir ideias e romper padrões, tanto de beleza quando de comportamento.

Quais suas experiências e formação?
Cursei por dois anos Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal do Paraná e me formei no curso de Estilismo e Confecção Industrial do Senai. Antes disso fiz cursos de Costureiro e Estilista de Moda pelo Senac-PR. A fim de conhecer o mercado, trabalhei também em lojas de lingerie como a Laloie Corseterie e a Appassionata Lingerie, ambas de Curitiba. Na parte de empreendedorismo, fui vencedora da etapa regional do Desafio Brasil / Desafio Senai de Inovação, e tenho buscado me aperfeiçoar na área em cursos do Sebrae.

Como foi sua primeira e atual coleção?
Nossa primeira e atual coleção se chama Porcelana. Foi desenvolvida com inspiração na Holaria Design, empresa paranaense que utiliza a porcelana para criar peças com formas inusitadas. Deles, tiramos o conceito de criar algo novo com um material já conhecido, assim como investigar os limites da expressão plástica; partindo deste conceito, criamos três sublinhas com diferentes ocasiões de uso: linha Diamante – inspirada no vaso de mesmo nome, contém peças de função modeladora, para serem usadas durante o dia ou por baixo de outras peças; linha Plissan – dá origem às peças mais sensuais, mas igualmente confortáveis; linha Vazio – peças de conceito vanguarda, para ocasiões especiais.

Quais tecidos costuma utilizar na confecção?
Uma vez que temos sub-coleções dentro de cada coleção, buscamos utilizar tecidos tecnológicos na linha modeladora (Diamante), enquanto as rendas estão presentes na linha noite (Plissan). As transparências e as estampas são encontradas na linha de peças de vanguarda (Vazio).

Qual o seu maior diferencial?
Acredito que seja força de vontade e determinação. Por ter abandonado uma faculdade de arquitetura, nunca tive muito apoio para cursar moda, tanto emocional e psicológico, quanto financeiro. Depois de entrar no curso passei a fazer estágios na área de moda para conseguir arcar com todas as despesas, mas nunca foi fácil. Concluir o curso foi uma vitória e um marco em minha vida, e a Ovelha Negra Underwear é o resultado disso.

É você mesma que costura? Quais são os processos?
Atualmente na marca, a costura é terceirizada. Antes disso, temos o processo criativo e de geração de moldes.

Quais são os principais pontos de venda?
Estamos nos preparando para começar a aceitar pedidos pela página do facebook e pelo instagram, inicialmente serão nossos principais pontos de venda.

Aonde você busca inspiração?
Busco inspiração em tudo o que me toca em meu dia: músicas, pessoas, lugares e objetos.

Como estas inspirações influenciam suas coleções?
Influenciam na escolha do tema, cores, modelagem e em toda a parte de criação e ambientação da coleção.

Como você definiria as mulheres de hoje?
Vejo as mulheres como seres extremamente fortes, capazes e determinados a conseguirem tudo o que querem. São muito independentes e seguras, e podem conquistar o mundo. É buscando fazer a vida delas melhor que produzimos nossas peças.

Qual a definição de sedução para você?
Acredito que sedução é baseada na segurança de cada um. Seduzir é estar segura do seu potencial e não se deixar abalar por opiniões negativas.

Qual ou quais são suas maiores referências de estilo?
No Brasil, gosto muito da marca FYI, da Osklen e do estilista Vitorino Campos. Fora do Brasil, admiro Alexander McQueen entre muitos outros.

Qual lugar a lingerie ocupa no seu imaginário?
Por ser a primeira peça que vestimos e a que fica mais tempo em contato conosco, acredito que a lingerie externe aquilo que temos de mais íntimo dentro de nós: vontades, gostos, sonhos, preferências…

Como a lingerie deve ser usadas pelas mulheres hoje?
Absolutamente como ela quiser! Não acredito em regras para o uso da lingerie por ser algo tão pessoal.

Qual a sua peça de lingerie favorita?
Minha peça favorita é a peça conceitual com recortes da minha marca.

Qual a numeração/modelagem atual?
Atualmente trabalhamos com P, M, G.

Qual o diferencial da sua marca?
O principal diferencial da Ovelha Negra é a funcionalidade associada a estética. Nossa modelagem é inteligente, buscando trazer benefícios à circulação e corpo da usuária.

Fale de sua coleção atual, e novidades para 2014/2015?
A missão da Ovelha Negra Underwear é aflorar a essência das consumidoras, e explorar ao máximo a expressão da identidade. Para isso, nos inspiramos em artistas do Paraná (Holaria Design) para a criação das peças que são funcionais, conceituais e de vanguarda. Nos próximos meses lançaremos modelos novos desta coleção, e uma coleção nova em 2015, na qual ousaremos muito mais na parte de estamparia.

Para usar como peça de moda, quais looks você sugere para combinação?
As peças da Ovelha Negra são feitas para serem usadas como quiserem! Pessoalmente, gosto de usar os bodies e corpetes com calça, e os bralets com saias de cintura alta. Também gosto muito de usar os soutiens com colete ou blazer por cima.

Aonde encontrar a Maria Eduarda Malucelli da Ovelha Negra

me.malucelli@gmail.com
+55 41 9912 3613
facebook.com/ovelhanegraunderwear

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