Divã com Luana Ioppi Lacelab Intimates

Criando um diferencial entre a lingerie e a moda, a designer catarinense Luana Ioppi criou a marca Lacelab Intimates pensando em um estilo lifestyle da mulher contemporânea.

A marca tem quatro pilares – Conforto, Delicadeza, Autenticidade e Atemporalidade – através de suas modelagens, estampas, combinação de cores, rendas e texturas. Prezando pelo estilo  slow-fashion, Luana produz peças de alta qualidade que valorizam o corpo feminino, feitas em pequena escala para um consumidor cada vez mais exigente que busca um produto singular.

Com alças de soutiens a composição vai além da imaginação com desenhos diferentes para hotpants, calcinhas e cropped dando um ar fetichista ao mesmo tempo esportivo, slim e moderno. As peças vem com regulagens que possibilitam uma maior usabilidade das peças, pelo tamanho costas X busto. Uma moda para ser usada com transparências, sobreposições ou até mesmo para vestir, pois realmente é tão lindo e confortável que é um pecado esconder tamanha beleza. 

Admirando seu trabalho, e principalmente sabendo das dificuldades do empreendedorismo criativo, convidei a Luana para nos contar como ela começou, o que mais inspira seu negócio e as dicas para designers que estão começando.

NOVO TALENTO – LUANA IOPPI – LACELAB INTIMATES

Quais suas marcas favoritas no Brasil? Admiro o trabalho da Luxe Zaza.

Quais suas marcas favoritas fora do Brasil?
Noe Undergarments, Bordelle, Fortnight, são muitas.

Qual estilo de lingerie que você usa?
Não sei se tenho um único estilo, pois vario bastante de acordo com o meu humor, a roupa que vou usar, etc. Mas posso dizer que grande parte das minhas lingeries são de calcinhas do tipo boyshorts e sutiãs sem bojo.

Você se lembra de seu primeiro sutiã?
Sinceramente? Não.

Você já participou ou já visitou os salões de lingerie?
Visitarei pela primeira vez este ano.

Sua mãe influenciou o seu estilo lingerie? Como?
Acredito que não, por causa do seu gosto pessoal e pela nossa diferença de idade. Tem

os gostos bem diferentes. Ela é mais básica.

Quais seus blogs de lingerie favoritos?
http://www.lingerie-stylist.com/
http://thelingeriejournal.com/
http://www.arquitetadoamor.com.br
http://www.iloveagood.com/

Quais seus blogs favoritos?
Não consumo muito esse tipo de informação, mas claro que pesquisando sempre caio em um ou outro blog. Gosto bastante de alguns de viajar pelos Tumblrs de street style portais como o FFW.

O que você acha sobre lingerie brasileira?
Primeiro que temos uma modelagem bastante característica, principalmente em relação ao tamanho das calcinhas. Outra coisa bastante presente também são os bojos, e cada vez mais vejo marcas investindo em cores e em novos tecidos que dão diferencial a peça.

Quais são suas inspirações?
Tudo. Acredito que tudo pode ser inspiração. Basta saber criar um contexto, e seguir a ideia. Defino inspiração como algo bastante mutável. Pode ser um livro, um filme, uma pessoa, uma viagem, enfim, qualquer coisa.

Quais as dificuldades para construir o próprio negócio? Se tivesse que dar um conselho para quem está começando qual seria?
Saber ser chefe e colaborador não apenas das pessoas ao seu redor, mas do próprio tempo. No início você trabalha sozinho e, ter disciplina para manter o foco e cumprir as metas planejadas nem sempre é uma tarefa fácil. Como conselho: tenha os pés no chão e saiba que se estabelecer como marca é um trabalho de formiguinha.

Você se lembra de sua primeira experiência criativa? Como ela começou?
No primeiro semestre da faculdade, na aula de Laboratório de Criatividade, cada aluno teve que criar um presente para dar a um colega, porém, o presente tinha que ter a cara dele, baseado em sua própria apresentação, como se fosse um amigo secreto. Basicamente, tínhamos um público alvo bem definido, mas mesmo assim foi um desafio, rs.

Como é o seu processo de criação de lingerie?
Pesquisa de tendencias e comportamento, pesquisa de um tema de coleção, geração de alternativas, escolha dos materiais e cartela de cores, desenvolvimento de modelagens, peças pilotos e produção. Nem sempre de forma tão linear.

Que caminho percorreu até criar a sua marca?
Na metade da faculdade foi quando pensei na lingerie como uma área para seguir. Desde então, sempre fiz aulas em um ateliê, fora da universidade, voltado para lingerie, e busquei cursos para complementar meus conhecimento, como o de Moulage, no Senac/SC, que fiz com a intenção de aplicar a técnica em minhas criações. Meu TCC e desfile de formatura também foram na área de roupa íntima.

Quais suas experiências e formação?
Sou formada em Moda – Habilitação: Design de Moda pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Estudei um semestre de Design Textil na Universidad de Buenos Aires (UBA) e nesse intercâmbio também fiz alguns cursos nessa área como Estamparia. Já trabalhei com Comunicação de Moda, e minha última experiência foi na área de marketing na empresa Labellamafia, antes de criar a marca.

Como foi sua primeira e atual coleção?
A primeira, é claro, desafiadora, afinal era uma estreia. Apesar de todo planejamento nunca sabemos como as pessoas irão reagir, se teremos lojistas interessados, enfim. Mas felizmente, as coisas foram evoluindo e tive um feedback ainda mais positivo do que esperava. Para a atual coleção estou planejando peças ainda mais exclusivas, novas modelagens, e uma temática inspirada no México, suas personalidades, paisagens e cores.

Quais tecidos costuma utilizar na confecção?
Tecidos próprios da lingerie, mesclando tules, rendas, algodão e microfibra, pensando sempre na usabilidade e no conforto, afinal, tem toda uma questão de higiene que precisa ser levada em consideração.

Qual o seu maior diferencial?
Acredito que a modelagem. Minha ideia e criar peças diferentes, que tenham uma pegada fresh e moderna, mas que sejam ao mesmo tempo confortáveis. Por isso, investimos bastante nas regulagens de alças, nos modelos sem bojos e nos bojos moldados (não os prontos).

É você mesma que costura? Quais são os processos?
O desenvolvimento das modelagens e das peças piloto é todo feito no ateliê, depois de aprovada a pilotagem, a produção é terceirizada em uma facção, que trabalha exclusivamente com lingerie. Ela produz para a Lacelab Intimates e outras marcas.

Aonde você busca inspiração?
Principalmente nas pessoas, em tudo aquilo que elas estão assistindo, lendo, ouvindo, praticando. Acredito que seja nesses movimentos que a gente consegue sentir aquilo que esta acontecendo.

Como estas inspirações influenciam suas coleções?
É claro que nós seguimos nosso conceito como marca e muitas pessoas chegam a nós por isso, mas não podemos esquecer que trabalhamos para desenvolver um produto que o nosso público deseja. É uma via de mão dupla. E, entendendo o comportamento desse público alvo é que as inspirações entram na minha criação também.

Como você definiria as mulheres de hoje?
Não sei se podemos definir as mulheres em uma só. Para mim são milhares, mas para a Lacelab são autenticas, idealizadoras e bem resolvidas com o seu corpo e sua sexualidade.

Além de ser designer de lingerie, tem algo que há faz ser múltipla
Bom, por enquanto não sou mãe, nem esposa, se é isso que você me questiona. Hoje trabalho 100% para a minha marca e acho que posso dizer que sou administradora, modelista, compradora, costureira e tudo mais que englobe administrar e criar um produto e uma marca.

Qual a definição de sedução para você?
Sentir-se bem consigo mesma. Não acredito que seja possível seduzir o outro sem seduzir a si primeiro sem que pareça falso ou forçado demais.

Qual ou quais são suas maiores referências de estilo?
Não tenho grandes ídolos que sigo. Posso dizer que até mesmo minhas amigas são referências.

Qual lugar a lingerie ocupa no seu imaginário?
Trabalhando com isso, talvez 90% do meu dia-a-dia.

Como a lingerie deve ser usadas pelas mulheres hoje?
Da maneira como elas se sentirem bem. Acho ultrapassado ditar padrões de lingeries para trabalhar, para seduzir, para ficar em casa, etc. Na medida em que a pessoa se torna refém das circustâncias, pra mim, perde toda a graça e criatividade.

Qual a sua peça de lingerie favorita?
Não tenho uma em especial, mas adoro a modelagem do top de renda com regulagem nas costas. Esta é uma peça que eu pretendo sempre manter.

Como você explicaria o seu sucesso como designer de lingerie?
Pra ser sincera, acho que é difícil mensurar. Mas quando se trabalha com dedicação (e acredito que seja isso que eu faço) `aquilo que gosta, acho que o resultado se reflete em toda a produção e comunicação, e as pessoas percebem e sentem isso.

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